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Modelos

Boston Dynamics lança mão de 13 eixos no Atlas

Boston Dynamics anunciou em 1º/10/2026 a GR3: mãos do Atlas com 4 dedos, 13 graus de liberdade e treino em simulação. Sem mindinho. Demo de estúdio.

Quatro dedos, motores nas juntas e treino no simulador. A empresa diz que o mindinho não paga o custo.

Em 1º de outubro de 2026 a Boston Dynamics anunciou a nova geração de mãos do Atlas, o humanóide que a empresa vende. No vídeo oficial a peça se chama GR3: quatro dedos, 13 graus de liberdade, atuação direta nas juntas, feita para treinar em simulação e copiar o controle para o robô real com aprendizado por reforço. O recado saiu no X da empresa, no YouTube (“New Hands for Atlas”) e no blog “Robot Hands for Modern AI and Real Work”. The Verge publicou no mesmo dia. The Korea Herald, em 2 de outubro. A mão é onde o humanóide passa a mexer em ferramenta. Os números abaixo vêm da empresa, salvo quando a imprensa descreve o vídeo.

Primeiro: o que é um grau de liberdade

Grau de liberdade, ou DOF (degrees of freedom), é cada eixo em que a mão se mexe sozinha. Aprendizado por reforço, ou RL, treina um programa na tentativa e erro, com recompensa quando a tarefa dá certo. Sim-to-real é levar o que funcionou no simulador para o chão, como um piloto que treina no videogame e depois entra no carro. A analogia quebra quando o atrito, o peso e o atraso do motor real não estão no modelo.

O que mudou nas mãos do Atlas

A mão anterior, GR2, tinha 7 graus de liberdade. O blog diz que ela foi desenhada para agarrar muitos objetos; a nova geração, para manipulá-los. O polegar opositor tem 4 eixos. Cada um dos outros três dedos tem 3. A conta da empresa: 4 + 3 + 3 + 3 = 13. Há um só tipo de atuador, atuação direta e, no texto da empresa, juntas “altamente transparentes”. Os motores ficam encapsulados, sem cabos frágeis cruzando as juntas, no mesmo desenho do corpo do Atlas.

A mão sente a própria pose pelos atuadores backdrivable (dá para empurrá-los de volta) e tem sensores táteis de pressão nas pontas dos dedos e na palma. The Verge também cita esses sensores. O blog compara o tamanho a uma mão humana grande; no vídeo, a empresa diz que a peça é um pouco maior que a média e, em média, um pouco mais forte. Ninguém de fora mediu isso nesta cobertura.

Por que faltou o mindinho

O relato é interno e vem só da Boston Dynamics. O CTO, grafado Zack no blog e Zach na transcrição do vídeo, pediu que a equipe tapasse o mindinho no anelar por um dia. A conclusão, segundo o post, é que o quinto dedo não valia 3 eixos a mais, nem o volume, o consumo e o ponto extra de falha. A frase no texto: “the best part is no part”. The Verge resume que a empresa tirou o mindinho para reduzir custo, tamanho e pontos de falha.

O que a empresa diz que a mão agora faz

O blog lista o que a cinemática “agora” permitiria: deslizar a ponta do polegar ao longo e através dos outros dedos; pinçar com o polegar contra qualquer outro dedo; pegadas de três pontos; e ferramentas com gatilho (furadeira, parafusadeira de torque, esmerilhadeira, pistola de prego, maçarico de solda). É especificação de produto, não evidência de turno de fábrica.

O Korea Herald descreve o vídeo: o Atlas coloca broca na furadeira, aperta o gatilho e fura madeira; aperta uma porca pequena entre os dedos; gira uma baqueta fina; manipula duas bolas de golfe numa só mão. A furadeira é a demo que a imprensa viu. O resto da lista de ferramentas não foi conferido por terceiro aqui.

A empresa diz ter mantido força semelhante à da mão anterior, “capable of carrying a 100lb+ loaded minifridge”. Essas 100 lb+ (mais de 45 kg) são o payload que ela atribui ao Atlas de nova geração, e o link aponta para um post antigo em que o robô inteiro levanta um frigobar. Não é um teste da GR3 isolada.

Treino no simulador

Imitação de humanos ajuda, escreve a empresa, mas controle destro e ágil pede RL em simulação, como no corpo inteiro. O hardware, segundo o blog, foi feito para a dinâmica virtual chegar perto da real. A empresa fala em “initial results showing promising sim2real transfer” em tarefas dinâmicas, treinadas com domain randomization (o simulador bagunça parâmetros de propósito) e rodadas no hardware só com a propriocepção rápida dos motores. Não há artigo, métrica nem número de tentativas: segundo a empresa.

O que o anúncio não cobre

Torque, massa da mão, vida útil, custo unitário e calendário de produção em massa da GR3 não saíram. O vídeo não mostra desgaste, sujeira nem peça torta na linha. Leia como desenho de peça e demo de estúdio. Não prova turno de fábrica.

RUMOR: ler o frigobar de 100 lb+ como ensaio da GR3 sozinha. RUMOR também: o horário 11h24 de Brasília no tuíte; a data 1º/10 está confirmada, o segundo não.

Fontes

Oficial

Imprensa

Fontes

  1. bostondynamics.com
  2. youtube.com
  3. x.com
  4. bostondynamics.com
  5. theverge.com
  6. koreaherald.com

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