Google assina o White House Accord on Super Intelligence
Pichai confirma que o Google assinou o White House Accord on Super Intelligence, texto voluntário de quatro camadas. Não é lei.
Sundar Pichai confirma no X a assinatura, com Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia, de um texto de quatro camadas que não é lei.
Em 29 de setembro de 2026, Sundar Pichai, presidente-executivo do Google e da Alphabet, assinou na Casa Branca o White House Accord on Super Intelligence. No X, às 02:25 UTC de 30 de setembro (23:25 de 29 de setembro no horário de Brasília), ele escreveu: “we signed today the White House Accord on Super Intelligence”. O papel também leva o subtítulo Joint Commitment on Frontier Responsibilities; é um documento só. Lista quatro camadas de controle para modelos frontier, os sistemas de IA mais capazes que as empresas treinam e colocam no ar. Não é lei.
Se você ouviu “Casa Branca” e imaginou o Congresso aprovando um projeto, não foi isso. O texto pede que os laboratórios se policiem. Pichai e a Casa Branca são partes do acordo. Leia as falas com esse desconto.
Primeiro: o que é o White House Accord on Super Intelligence
O acordo é um compromisso voluntário de uma página, datado de 29 de setembro de 2026. A transcrição está no American Presidency Project da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. A PBS NewsHour republicou o PDF. A linguagem pede que as empresas “should implement” as camadas, sem criar obrigação legal. O texto diz que as signatárias “will meet regularly to establish standards and best practices” e admite que, com o tempo, “it may make sense to codify these steps into laws or regulations”.
Dá para imaginar um combinado de vizinhos sobre trancar a casa. O papel descreve o combinado; a polícia não entra só porque ele existe. No texto, isso vira um auditor externo e um comitê do conselho, sem nomear o auditor, sem criar o comitê e sem dizer o que acontece se alguém ignorar o combinado.
Quem assinou, e quem só compareceu
No fac-símile assinam Donald J. Trump; Sundar Pichai (Google); Dario Amodei (Anthropic); Mark Zuckerberg (Meta); Greg Brockman (OpenAI); Elon Musk (XAI, grafia do original); Jensen Huang (Nvidia). Sob a assinatura de Trump, o original traz “President of the Unites States”. A USA TODAY registrou o erro. A Casa Branca republicou o documento no X em 30 de setembro de 2026.
Satya Nadella (Microsoft) e Jeff Bezos (Amazon) estiveram no encontro, segundo a ABC News, a Forbes e a Associated Press, e não assinam. O vice-presidente JD Vance e o presidente da Câmara, Mike Johnson, também participaram.
Pichai afirmou que o Google “has invested hundreds of billions in the last two years alone, with more to come, across the entire stack”. É declaração da empresa. Esta redação não encontrou 10-K (o relatório anual que uma empresa listada nos Estados Unidos envia ao regulador de valores), resultado trimestral nem um recorte de capex (gasto em instalações e equipamentos), nuvem e IA. Como valor auditado, fica RUMOR.
As quatro camadas
O acordo pede quatro camadas para quem treina e implanta modelos frontier:
- Controles internos de capacidades e alinhamento, cobrindo cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas, e evitando hacking ou acesso não intencional.
- Um time interno para verificar se os controles funcionam e corrigi-los.
- Um auditor ou avaliador externo independente.
- Um comitê independente do conselho para receber relatórios e garantir a correção.
Pichai falou ainda em testes, avaliações, red-teaming (equipes que tentam quebrar o sistema de propósito) e em lançar só depois de revisão. É o que ele diz que a indústria precisa fazer, não uma auditoria de que o Google já cumpre tudo.
Não é lei
Mike Johnson descreveu o acordo como voluntário, segundo a ABC News. Depois da reunião, Trump disse a jornalistas: “I think I’m seeing tremendous self-policing. And they understand that they have to self-police.” Chamou o texto de “morally binding”, moralmente vinculante, e sugeriu um comitê de cerca de 10 pessoas para “watch over the whole enterprise”, dizendo que nomearia alguém para supervisioná-lo. Composição, mandato e data desse comitê não estão documentados. O comitê em si não está confirmado como criado.
A ordem executiva do mesmo dia
No mesmo 29 de setembro, Trump assinou a ordem executiva 14434, “Inaugurating The Era Of Super Intelligence”. Nos Estados Unidos, ordem executiva é um decreto presidencial que vale para o governo federal, não uma lei do Congresso. A Nextgov/FCW escreveu que a ordem veio horas depois da reunião. A 14434 manda o Executivo usar “Super Intelligence” e “SI” no lugar de “Artificial Intelligence” e “AI”, “to the maximum extent permitted by law”. O assistente do presidente para Ciência e Tecnologia tem 60 dias, a contar de 29 de setembro de 2026, para propor linguagem legislativa de definição. O fact sheet da Casa Branca daquele dia descreve essa nomenclatura, não o acordo com as empresas.
O que ainda não sabemos
Esta redação não encontrou comunicado no blog do Google além do post de Pichai, nem página HTML em whitehouse.gov com o texto integral do Accord. Não se sabe se o acordo irá ao Federal Register (o diário oficial de regras do governo federal dos EUA), se ganhará força jurídica, quem será o auditor externo nem se cada signatária já criou o comitê do conselho.
O Google assinou um papel voluntário de uma página. O auditor externo, qualquer sanção por ignorá-lo e qualquer força jurídica ainda são desconhecidos.
Fontes
Oficial
- Sundar Pichai no X, 30/09/2026
- American Presidency Project (UCSB), transcrição do acordo
- PDF do acordo, PBS NewsHour
- Casa Branca no X, 30/09/2026
- Casa Branca, EO 14434
- PDF da EO 14434
- Casa Branca, fact sheet da EO, 29/09/2026
Imprensa