OpenAI e Cerebras: Altman confirma parceria em chips
Sam Altman afasta rumores e confirma trabalho conjunto entre OpenAI e Cerebras para inferência rápida, elevando ações da fabricante de chips.
Declaração pública do CEO recupera ações da fabricante na Nasdaq após boatos de migração para processadores Nvidia.
O executivo-chefe da OpenAI, Sam Altman, foi a público para estancar especulações sobre um rompimento comercial entre a desenvolvedora e a fabricante de hardware Cerebras Systems. Em mensagem publicada no X em 2 de outubro e repercutida pelos mercados em 5 de outubro, Altman afirmou que a parceria entre OpenAI e Cerebras segue próxima e focada em acelerar a velocidade de execução dos modelos. A fala acalmou analistas: os papéis da Cerebras (CBRS) subiram entre 7% e 9,5% no pregão de segunda-feira, 5 de outubro, recompondo parte das perdas acumuladas na semana anterior.
Primeiro: o que é inferência em tempo real
Inferência é o momento em que um sistema de inteligência artificial já treinado recebe uma instrução e gera uma resposta. Para tarefas comuns, alguns segundos de espera não atrapalham. Em assistentes interativos de programação e agentes autônomos, no entanto, cada fração de palavra (chamada de token) precisa surgir quase instantaneamente para manter o fluxo contínuo de trabalho.
A Cerebras constrói processadores gigantescos gravados em uma única lâmina inteira de silício (o chamado wafer). Essa estrutura reduz o tempo que os dados levam para transitar entre a memória e os núcleos de cálculo. O objetivo é cuspir texto com latência mínima, diferente do treinamento pesado de modelos, que exige clusters imensos trabalhando em lote por meses a fio.
O que derrubou as ações da Cerebras
A reação de Altman respondeu a relatórios de mercado que circularam no início de outubro. Análises de bancos de investimento, incluindo notas associadas ao Barclays, apontaram dúvidas sobre a capacidade de entrega da fabricante diante do cronograma contratado pela criadora do ChatGPT.
Os relatórios sugeriram que a OpenAI estaria redirecionando o tráfego do seu novo plano Ultrafast para placas gráficas da concorrente Nvidia. A hipótese provocou uma queda de quase 20% nas ações da Cerebras antes da virada do mês, já que a startup depende do contrato com a OpenAI como principal validação comercial de sua tecnologia em escala.
A divisão de trabalho entre OpenAI e Cerebras
Na prática, a infraestrutura da OpenAI não opera sob uma lógica de substituição simples, mas em um modelo híbrido chamado internamente de sistemas com alocação por carga (load-matching). Sachin Katti, responsável pela infraestrutura de computação da OpenAI, explicou que os chips da Cerebras foram integrados especificamente para a decodificação em tempo real, onde a rapidez na entrega de cada token é a prioridade.
Já os clusters de GPUs da Nvidia continuam encarregados do treinamento original das redes neurais, das tarefas que processam grandes volumes em lote e da ingestão de documentos com contextos extensos. Não se trata de escolher um fornecedor contra o outro, mas de usar hardware especializado para tarefas diferentes.
O contrato de 750 MW e os números da fabricante
As duas companhias formalizaram um acordo plurianual em 14 de janeiro de 2026. A meta contratada prevê a entrega gradual de 750 megawatts de capacidade de computação dedicada a inferência até 2028. Apurações da imprensa financeira, como The Wall Street Journal e Reuters, estimam que o valor total ultrapassa US$ 10 bilhões ao longo do contrato, embora nenhuma das empresas tenha registrado esses números específicos em relatórios regulatórios entregues à SEC.
Em testes divulgados pela própria Cerebras, a empresa afirma que o modelo GPT-5.6 Sol alcança até 750 tokens por segundo no plano rápido, enquanto o GPT-5.3-Codex-Spark bateria a marca de 1.000 tokens por segundo. Como esses números foram medidos exclusivamente pela fornecedora, devem ser avaliados com cautela comum a dados de marketing.
O que continua sem resposta
O esclarecimento de Altman interrompeu a sangria das ações em Wall Street, mas deixou pontas soltas na operação. A OpenAI não detalhou qual porcentagem das consultas do plano Ultrafast é de fato processada pelos wafers da Cerebras e quanto do volume ainda recai sobre processadores tradicionais da Nvidia.
Também não há posicionamento oficial sobre eventuais gargalos industriais no cumprimento das entregas de energia previstas até 2028. O episódio ilustra o desafio prático dos grandes laboratórios de IA: diversificar fornecedores de hardware para baratear custos e ganhar velocidade, sem se tornar refém de um único ecossistema técnico.
Fontes
- Oficial: Declaração de Sam Altman no X
- Oficial: Comunicado da OpenAI sobre a parceria
- Fornecedora: Anúncio de inferência em alta velocidade da Cerebras e benchmarks da Cerebras
- Imprensa: Cobertura de mercado na CNBC
- Imprensa: Análise de ações no Yahoo Finance
- Imprensa: Relatório de mercado no Investopedia
- Imprensa: Reportagem sobre investimentos no Silicon Republic
- Análise de mercado: Barclays Research e repercussão no TradingView